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Quarta-feira, 28 de Fevereiro de 2007

UMA LUTA PARA ACREDITAR

Na visita à Associação “Acreditar” percebi que se a ideia que surgiu em 1993, de criar aquela instituição era boa, a sua concretização foi melhor ainda.

É importantíssimo o trabalho de apoio aos pais e crianças com cancro.

É importante o apoio psicológico, a informação, eventualmente o apoio domiciliário e monetário, que esta instituição dá a esses pais no momento em que se sentem mais desamparados.

Como é que os pais recebem a notícia de que um filho tem cancro?

Como é que isso se explica a uma criança?

Os responsáveis e os restantes voluntários intervêm de uma forma excepcional junto dessas pessoas, no IPO, que fica mesmo em frente à Acreditar.

Mas nesta visita tocou-me particularmente a importância da imagem do médico perante esta situação.

Como é que um médico diz a um pai ou a uma mãe que o filho tem cancro?

Não pode simplesmente dizê-lo, tem de dizer cada palavra com cuidado e não com a indiferença de quem está acostumado a dar más noticias. Porque o médico pode estar habituado a dá-las, mas aqueles pais não estão certamente preparados para recebê-las. Os pais não precisam de um médico que apenas evidencie indiferença, uma indiferença que esconde o “medo” de se envolver, o medo de perguntas difíceis, o medo de que o olhem nos olhos, o medo de sofrer… A carreira médica é envolvente por si só. Quem aceita o desafio não pode ter medo de se envolver emocionalmente. Deve ser humanamente médico e, para isso, arriscar. É isso o mais importante e, claro, deixar-se envolver sem ser demasiado susceptível, porque tem de estar sempre preparado para o pior, mas não pode esconder os sentimentos. Os pais têm de sentir que podem confiar no médico, no momento em que o seu mundo ruiu, precisam de certezas, alicerces, de um médico que aos poucos lhes explique os procedimentos a tomar e se mostre disponível.

E a criança?

Precisa de não ter medo daquele homem ou mulher de bata branca que diz qualquer coisa estranha que leva a sua mãe a ter os olhos repletos de lágrimas e o pai a levar as mãos à cabeça em sinal de desespero. Precisa que o médico se mostre amigo e lhe tente explicar, de uma forma recheada de muitos eufemismos (própria da idade), o que se passa com ela.

Um dia roubaram-lhe os sonhos. E é importante fazê-la “Acreditar”.

 

Nas visitas que fiz às duas instituições tão diferentes e tão iguais: os opostos na sociedade, as crianças e os idosos, e a igualdade no apoio, no reconforto, no envolvimento, na amizade.

Estas revestiram-se de um carácter fundamental para a carreira do médico/a sensibilizando-me para o aspecto humano da Medicina. Revelaram-se também essenciais para a compreensão da complexidade do ser humano e para a compreensão da diversidade de factores que determinam certos comportamentos.

E há duas lições fundamentais que retirei delas, além da necessidade de humanização da Medicina.

Primeiro, que como futura médica não posso nunca ser indiferente, e relembro as palavras do Dr. J. Fernandes e Fernandes, na recepção aos alunos do 1º ano: “ Por favor, nunca sejam indiferentes. É a pior coisa que existe - a indiferença, é como um cancro que corrói a sociedade. Nunca o sejam.”

E, por outro lado, a importância da esperança. A esperança que temos que procurar sempre dar aos nossos futuros pacientes. Fazê-los Acreditar sempre.

“A esperança seria a maior das forças humanas,

se não existisse o desespero.”

Victor Hugo

publicado por Dreamfinder às 15:32

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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

A ÚLTIMA DANÇA

Como futura médica, retirei implicações das vivências que tive oportunidade de realizar nas 2 visitas com o meu grupo, no âmbito da disciplina de Introdução à Medicina que foram enriquecedoras no sentido de melhor compreender a importância da harmonia entre a formação/competência e a humanidade, atenção e empatia na carreira médica.

Visitei o Centro Polivalente de S. Cristóvão e S. Lourenço e a Associação Acreditar. Apesar dos contornos bastante diferentes das 2 visitas, elas despertaram-me o espírito para dois temas principais: o magnifico trabalho de solidariedade e as pessoas carenciadas contempladas pelo mesmo.

No C.P.S.C.S.L. fui surpreendida quando soube que não ia passar o dia no centro de dia (que alberga idosos a tempo permanente), mas que, em vez disso, visitaria as pessoas nas suas próprias casas, acompanhando as responsáveis pelo apoio domiciliário.

Inicialmente desconfortável com o sentimento de invasão à intimidade daquelas senhoras, deixei-me fascinar pelo excelente trabalho desenvolvido pelas auxiliares: Lúcia e Rosário. E senti que, para aquelas senhoras idosas, elas faziam parte da família, e estavam mais presentes do que os familiares, que as esqueceram… e que elas tornam presentes nas suas recordações. Mas se me comoveu a atenção, disponibilidade, simpatia, carinho e felicidade que aquelas mulheres levam todos os dias a casa daquelas idosas, mais me comoveu o traço que encontrei em comum nas duas senhoras que visitei:

A Dona Olga era a mais extrovertida, ainda guardava um olhar maroto quando dizia que o seu vizinho policia era muito jeitoso.

A Dona Amélia era mais reservada, tinha muitas dores devido às artroses.

Mas em comum, nas simpáticas senhoras, existia aquilo que mais as magoa, a diferença entre o que foram e o que são, as penosas recordações de um tempo (em que foram felizes) e que não volta mais, a consciência da sua própria situação e o sentimento de inutilidade e abandono.

É com o olhar brilhante e preso no passado que a Dona Olga recorda como era bonita, afirmando que sempre “fora vaidosa, não peneirenta”. Lembra-se que todos lhe gabavam as bonitas pernas, “e olhem agora, tanta inveja tiveram, que agora estão assim”, diz apontando para a operação e a prótese que lhe puseram na perna, e diz que não se importa de morrer.

Da Dona Amélia, conta a Lúcia, que ela chegou a trabalhar num famosíssimo salão de beleza, pelo que conviveu com pessoas como a pintora Paula Rêgo ou Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje está ali, só e com uma tristeza profunda. É para mim doloroso lembrar-me do que a senhora repetia constantemente, “Desculpem, eu estar assim, sem interesse para vocês. Um farrapo de gente, nada mais.”. A Dona Amélia entregava-se, desistia claramente de viver, não suportava esse contraste doloroso entre o que é e o que fora.

Como futura médica, esta experiência fez-me compreender que estes idosos têm necessidades especiais e têm de ser tratados pelos médicos não com desprezo ou indiferença mas com todo o respeito, atenção e dignidade que merecem. Além de tratar devidamente os problemas físicos, o médico tem de ter atenção às carências afectivas. Uma simples palavra de carinho, um gesto de compreensão, um olhar de apoio… Um sinal que lhes mostre que alguém se preocupa com eles, que lhes transmita confiança.

A esperança que a “D. Olga” precisa, a esperança que ela perdeu, “Será que alguma vez eu voltarei a dançar? Eu gostava tanto. Mas sei que não, nunca voltarei a dançar.”...

“Se vale a pena viver a vida esplêndida - esta fantasmagoria de cores, de grotesco, esta mescla de estrelas e de sonho? ... Só a luz! Só a luz vale a vida! A luz interior ou a luz exterior. Doente ou com saúde, triste ou alegre, procuro a luz com avidez. A luz é para mim a felicidade. Vivo de luz. Impregno-me, olho-a com êxtase. Valho o que ela vale. Sinto-me caído quando o dia amanhece baço e turvo. Sonho com ela e de manhã é a luz o meu primeiro pensamento. Qualquer fio me prende, qualquer reflexo me encanta. E agora mais doente, mais perto do túmulo,

busco-a com ânsia.”

Raul Brandão

publicado por Dreamfinder às 22:24

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Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2007

O AMBIENTE BIOLÓGICO E A SAÚDE

Não é a primeira vez que abordo a complexidade do conceito "saúde". Hoje, no entanto, incido a minha reflexão sobre o tema da aula: a saúde na sua relação com o meio biológico. A saúde, na sua variedade, depende tanto de factores endógenos (características da própria pessoa - o hospedeiro), como de factores exógenos (exteriores a este, mas que o afectam, condicionando o seu estado de bem estar). É analisando esta interecção entre o homem e o meio que podemos tentar chegar mais próximo da definição que concebemos da "saúde".

Ninguém vive isolado. Mesmo que viva só, isolado de outras pessoas, nunca está verdadeiramente isolado... Porque há todo um meio que o envolve. Vivemos rodeados de todo um maravilhoso mundo biológico, do qual muitas vezes nem nos apercebemos. Estamos rodeados de seres vivos, animais e vegetais, que tornam a nossa vida mais colorida.

Esses organismos podem representar factores de saúde para os que os rodeiam... Mas nem sempre esses organismos biológicos exercem uma acção positiva sobre nós e sobre o nosso estado de saúde, afinal eles podem ser reservatórios, vectores ou agentes da doença.

Mas de que formas influencia o meio biológico que nos rodeia a nossa saúde? Outra pergunta que nos poderá surgir diversas vezes, já que provavelmente é raro reflectirmos nisso... Sofremos maior influência do ambiente biológico através de alguns mecanismos de interacção específicos que estabelecemos, como é o caso da nossa nutrição, da nossa imunidade, casos de traumatismo ou de infecção/intoxicação.

A cadeia epidemiológica tem uma sequência comum, independentemente do tipo de intervenientes. Assim, um determinado reservatório (por exemplo, um qualquer organismo biológico) pode transmitir o agente (como as bactérias, fungos, vírus, protozoários, ...) ao hospedeiro (o indivíduo), que assim pode contrair infecção, ficando o seu estado de saúde comprometido. O ponto de partida desta alteração do seu estado de saúde (doença) foi a interacção do indivíduo com o seu ambiente biológico.

Claro que quando me refiro a meio biológico, a variedade de reservatórios é grande, tal como a forma de contágio. A transmissão do agente patológico pode resultar, por exemplo, do contacto directo com animais. Assim, podemos ser infectados por animais quando vamos de férias para o Quénia ou para a Tailândia, como no caso da Malária (em que o parasita é transmitido pelo Mosquito Anopheles). Mas não é preciso ir tão longe para sentir os efeitos dos animais na nossa saúde. Os nossos cães, gatos ou mesmo cavalos podem transmitir-nos, tanto pela sua mordida, como pela saliva em contacto com a nossa pele, o vírus da raiva,que ataca o sistema nervoso e é fatal em praticamente 100% dos casos. Em ambos os casos, a prevenção volta a ser a palavra de ordem: a malária pode ser evitada através da profilaxia adequada antes de se partir de férias e os animais devem ser vacinados anualmente para impedir a contracção deste vírus.

No entanto, outra das formas de interacção com o ambiente biológico que estabelecemos é a nutrição. E desta forma podemos ser infectados por vírus como o famoso H5N1 (gripe aviária), doença das vacas loucas

Por fim, temos obrigatoriamente que pensar nas situações em que o reservatório é o próprio homem ou o seu organismo. As pessoas com quem nos relacionamos diariamente também são reservartórios de agentes patológicos. Por exemplo, vírus como o VIH (SIDA) ou o vírus da Hepatite B são sexualmente transmíssiveis, tal como os vírus de da sífilis, gonorreia, clamídia, ... Mas também podem ser contraídos pelo contacto com subtâcias orgânicas infectadas, por exemplo, em casos de transplante de órgãos infectados ou durante uma cirurgia pelo contacto com material contaminado. A doença de Creutzfeldt-Jacob (encefalopatia espongiforme subaguda) , uma infecção progressiva, inevitavelmente mortal, que produz espasmos musculares e uma perda progressiva da função mental é, por exemplo, contraída por médicos legistas, pelo contacto com cadáveres infectados.

O tétano é causado pela toxina de uma bactéria, o Clostridium tetani. Este organismo pode sobreviver no ambiente, e em particular no solo, sob a forma de esporo. Uma das mais típicas formas de transmissão do mesmo é a contaminação de uma ferida.

Concluindo, ao contrário do que muitas vezes pensamos, o ambiente biológico tem uma influência importantíssima na nossa saúde, já que é constituído por inúmeros organismos que podem funcionar como reservatórios de agentes patológicos. Alertados para esta realidade, e perante a nossa constante e inevitável interacção (sob diferentes formas) com o meio biológico, é importante que nos sensibilizemos para a importância da prevenção, desde os comportamentos preventivos mais básicos (como não partilhar material de higiene pessoal), passando pela prevenção não específica (contra a infecção, como a melhoria das condições de higiene, da qualidade da água e cadeia alimentar, ...) e culminando na prevenção específica, contra a doença, através da vacinação, de soros (depois de contraída) ou uma prevenção secundária (antibióticos e desinfectantes).

“A cura está ligada ao tempo e às vezes também às circunstâncias.”

Hipócrates

 

publicado por Dreamfinder às 15:25

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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

ANIMAIS DE ESTIMAÇÃO E SAÚDE NA CRIANÇA

 
Tenho um peixinho vermelho, chamado “Vanda”, que passa a sua vida a nadar em círculos no aquário. Confesso que é um animal que acho “estúpido” por natureza e que não me convence como animal de estimação.
Mas tenho que aceitar, pois são múltiplos os estudos que defendem a importância dos animais no desenvolvimento das crianças e na sua saúde.
O cão e o gato estão no topo da lista, pois são os que melhor se adaptam às crianças e vice-versa. De qualquer modo se a casa é pequena aconselham um peixe (eu não disse, apesar de não me quererem ouvir, que era um animal estúpido e não “interactivo”, e continuo a achar que é um bicho estúpido), um canário (mal menor, este ao menos “canta”, o pior é se canta mal), uma tartaruga (um bocadinho lenta, não…), são opções viáveis.

Um amigo saudável, rafeiro ou com “pedigree”, não importa, o que prevalece são os benefícios que pode trazer à criança. Os animais de estimação vão fazer as crianças sentir-se especiais e necessárias, e o convívio com os animais de 4 patas reduz a ansiedade e o stress, torna-as mais pacientes e obriga-as a criar hábitos mais saudáveis, estimulando a prática do exercício físico e o contacto com a natureza, principalmente se for um cão.
 

 
O estudo diz:
 
Que os animais de estimação desenvolvem o sentido de responsabilidade da criança, assim como a pontualidade e a limpeza.
Favorecem a interacção com o meio envolvente e a extroversão.
Incutem o respeito e a ligação à natureza.
Aumentam a confiança e a auto-estima da criança.
Promovem a actividade física.
Ensinam a criança a estar atenta às necessidades dos outros.
São companheiros incondicionais.
Fornecem lições de vida em relação às doenças e como lidar com elas.
Estimulam os sentimentos de afectividade, afeição e lealdade.
Diminuem a agressividade e o mau comportamento das crianças em casa e na escola.
Reduzem a ansiedade e o stress.
Quem diria, pensando melhor, acho mesmo que vou ter que oferecer um animal de estimação, a alguns dos meus amigos carentes, talvez um hamster, um cágado, porque não uma iguana.

 

“Os animais são amigos tão agradáveis:

não fazem perguntas, não criticam.”

George Elliot

publicado por Dreamfinder às 19:40

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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

2007 - ANO EUROPEU DA IGUALDADE

Sob o lema “Para uma sociedade mais justa”, o Ano Europeu da Igualdade fundamenta a necessidade de respeitar e promover a igualdade e a não discriminação.
A discriminação tem como elementos potenciadores, que deveriam ser apenas reflexos de diversidade humana: sexo, raça ou etnia, idade, religião ou crença, deficiência e orientação sexual.
A discriminação em todos os seus aspectos deve ser suprimida. Para isso deve-se começar pela sensibilização, que levará aos poucos da passagem das palavras aos actos. A União Europeia revelou que “Portugal não é um país racista, mas é preconceituoso”. Por isso, este ano o governo aposta em “motivar a opinião pública” a não discriminar seja qual for o motivo para o fazer.
Infelizmente, achamo-nos modernos e actuais, mas na verdade, continua sempre a acontecer: as minorias raciais e étnicas apesar da emigração continuar a crescer permanecem longe do círculo de poder; as mulheres são vistas cada vez mais na política e cargos de chefia, mas recebem salários inferiores aos dos homens, em muitas empresas, e a violência doméstica existe e, por vezes, mata; a idade também condiciona, a partir dos 35 anos já é difícil arranjar emprego; os idosos cada vez mais são abandonados; os deficientes continuam a encontrar obstáculos todos os dias ao tentarem ter uma vida “normal”; e muito mais poderia escrever.
A igualdade de género, nos dias de hoje, invade os discursos políticos, o homem e a mulher cada vez mais são mais iguais, mas encontram-se muitas excepções.
O governo enveredou um esforço para alterar algumas coisas, por exemplo, as vítimas de violência vão deixar de pagar as taxas moderadoras quando recorrerem às urgências de um hospital; as empresas públicas foram aconselhadas a aderir à igualdade entre homens e mulheres.
As campanhas de sensibilização são necessárias, mas as associações alertam que “ainda há muito a fazer” e que é preciso “desenvolver mecanismos que promovam, acompanhem e fiscalizem a não discriminação”.
“A administração pública tem de promover uma efectiva inclusão”, o Ano Europeu “não é um ano de festa, mas sim de compromisso”.
Este ano um camião TIR, cheio de material didáctico sobre as diversas discriminações e com uma exposição móvel vai percorrer o país para falar de Igualdade. Escolas e Municípios serão fundamentais na sensibilização pública da discriminação. Espero, que a pretensão de sensibilizar a população para os benefícios de uma sociedade justa e coesa sejam conseguidos e que se combatam todas as atitudes e comportamentos discriminatórios e que se informe sobre os direitos e obrigações todos os cidadãos.
Sinceramente confio que todos nós cada vez mais nos sintamos mais humanos, mais iguais, mais cívicos.
 
  “Encontrei uma preta
  que estava a chorar,
  pedi-lhe uma lágrima 
  para a analisar.
 
  Recolhi a lágrima
  com todo o cuidado
  num tubo de ensaio
  bem esterilizado.
 
 Olhei-a de um lado,
 do outro e de frente:
 tinha um ar de gota
 muito transparente.
 
Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.
 
Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:
nem sinais de negro,
  nem vestígios de ódio.
  Agua (quase tudo)
  e cloreto de sódio.”                           
António Gedeão
publicado por Dreamfinder às 19:50

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Sexta-feira, 23 de Fevereiro de 2007

A SAÚDE E OS SEUS DETERMINANTES

“A saúde é por demais importante para estar só na mão dos médicos – cada qual tem que aprender a tomar conta da sua.”

 

Entre as várias definições propostas para o conceito de saúde, figura a da Organização Mundial de Saúde: “estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. Uma boa definição que está, no entanto, longe de traduzir a saúde enquanto equilíbrio dinâmico e instável, não contemplando a variedade multifacetada de determinantes que influenciam a saúde.

A saúde não depende certamente apenas do estado clínico da pessoa, mas sim de toda a complexidade do ser humano. Os receios, as angustias, as oportunidades, as condições de vida, o papel desempenhado na sociedade… tudo isto são factores que influenciam directamente a saúde da pessoa. Assim, a saúde enquanto equilíbrio depende de três vectores determinantes: agente, ambiente e hospedeiro.

Os agentes patológicos que actuam sobre o indivíduo “ hospedeiro” são de vários tipos: biológicos, químicos, físicos, nutrientes e mecânicos.

O ambiente (físico, químico, biológico, económico, social e psicosocial) é outra variável indissociável da saúde da pessoa, facto do qual já se apercebera o pai da Medicina, Hipócrates: On Airs, Waters and Places”.

O hospedeiro é também um determinante no equilíbrio da sua própria saúde no que se refere: à idade, ao género, à etnia, aos hábitos e costumes, aos mecanismos de defesa, aos factores genéticos e à reacção psico-biológica. Por exemplo, o cancro está dependente de múltiplos factores característicos do indivíduo: da idade, género, álcool, nutrição, obesidade, excercício físico, tabaco, …

Assim, sobre os hospedeiros actuam estímulos e factores únicos ou múltiplos, transmissíveis ou não, cuja actuação pode ter diferentes efeitos: podem aumentar a susceptibilidade ao agente patológico (predisponentes), podem favorecer o desenvolvimento da doença (facilitadores), podem associar-se ao início da doença, como é o caso do stress (precipitantes) e, por fim, podem agravar a doença (de reforço).

Uma das aliadas da prevenção na Medicina é, certamente, a possibilidade de recorrer à História Natural da Doença, isto é, as características da progressão da mesma quando não sujeita a tratamento, o que facilita o seu diagnóstico precoce, evitando a evolução da mesma.

Neste mesmo sentido, é importante um acompanhamento do alastramento das doenças, no que toca o país e as regiões. Assim, é importante que sejam tidos em conta os resultados estatísticos de comparação de várias doenças com o nosso país e dentro dele, as suas variações de região para região. O conhecimento destes padrões aumenta o potencial de prevenção, tal como a oportunidade de intervenção.

Por exemplo, o nosso país é dos mais afectados pelo cancro do colo e do recto, tal como pelo cancro do estômago, o que está, obviamente, relacionado com a gastronomia portuguesa (o gosto pelos enchidos, por exemplo). Além disso, os portugueses ainda não estão sensibilizados para esta realidade, nem para a importância de um diagnóstico precoce no tratamento da doença. Os exames de rastreio são importantíssimo e podem diminuir a taxa de mortalidade no nosso país. É neste campo que, mais uma vez, intervém a Medicina Preventiva, junto das pessoas numa tentativa de sensibilização para a importância destes mesmos exames de rotina. A intervenção é feita de três modos distintos: enquanto saudável (prevenção primária), no inícios da doença (prevenção secundária) e num estado de doença estabelecida (prevenção terciária).

A Saúde enquanto direito constitucional é garantida pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A Medicina Preventiva actua de acordo com várias estratégias junto das populações, numa tentativa de viabilizar e tentar aumentar o sucesso das suas intervenções. O seu principal objectivo é promover a saúde e prevenir a doença, recorrendo a diversas matérias e disciplinas e intervindo junto das causas da saúde e da doença.

 

 

“Alguns pressentem a chuva; outros contentam-se em molhar-se.”

Henry Miller

publicado por Dreamfinder às 18:34

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Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2007

O CONCEITO DE "PAIS"

É deprimente como a nossa lei se adequa tão pouco à nossa realidade. Cada vez que aquele homem baixo, vestido de militar e coxeando ligeiramente aparece no ecrã, estremeço… Olho aquele homem e admiro-o. E não percebo…
Porque é que a lei protege sempre os pais biológicos? Tem de haver uma maior protecção dos pais adoptivos, aqueles que (na maioria das vezes), efectivamente, se preocupam com as crianças, aqueles que são, para as próprias crianças, os seus pais. Não é fácil adoptar uma criança hoje em dia… A mim a ideia agrada-me particularmente, gostava imenso de adoptar uma criança. No entanto, parece-me que a sociedade portuguesa ainda é preconceituosa no que toca estas questões. Um casal que opte pela adopção ainda é olhado de lado… Mas pior do que isso, é o facto de que um casal que adopte uma criança, pode ser obrigado, anos mais tarde, a ter de a “devolver” aos considerados “verdadeiros pais”, pelo tribunal. E não uso o verbo casualmente. Aos olhos da justiça, a criança é como um bem que pode ser primeiro deixado numa casa, mas depois de reconsiderada a questão, pode ser entregue noutra. No meio de tudo isto quem se preocupa com o que é melhor para a criança?
Ser bruscamente retirada aos que sempre conheceu como pais e entregue nas mãos de um homem que nem mostrou interesse quando a mãe biológica lhe disse que estava grávida de um filho seu, um homem que duvidou, um homem que ignorou, … e que só depois se lembrou de reivindicar a criança que diz ser “sua filha”? Ou continuar a viver com uma família que a estima, que a acolheu há 4 anos atrás e que é a única família que conhece?
Apesar da crueldade da lei… este caso evidencia sentimentos maravilhosos…
É de louvar o espírito de coragem deste pai adoptivo, disposto a cumprir pena de 6 anos para não revelar onde se encontram a filha e a mulher. Espírito este que mostra quem é o verdadeiro pai, quem está disposto a abdicar da sua liberdade em troca do que considera melhor para a pequena Esmeralda.
E também é de admirar… o silêncio de Torres Novas quanto ao paradeiro da criança e a vontade de libertar o militar. Um pedido de habeas corpus foi reivindicado, embora sem sucesso, pelos habitantes desta localidade, pelo facto de o militar ter sido privado da sua liberdade sem justa causa, já que não foi provado o rapto nem o perigo para a criança, nem as suas atitudes se coadunam com essa mesma evidência.
Que o nome de “Esmeralda” lhe confira o verde da esperança e que a lenda, segundo a qual este mineral tem o poder de manter a pureza e afastar os maus espíritos, se concretize nesta menina cujo futuro está nas mãos da justiça. Veremos o que o tribunal vai fazer a esta criança… esperemos uma de duas coisas, ou que a lei seja ponderada e passe a ter o afecto e a própria criança em consideração, ou que, simplesmente, a menina nunca mais apareça.
 
“Amar é saborear nos braços de um ente querido
a porção de céu que Deus depôs na carne.”
Victor Hugo
publicado por Dreamfinder às 14:16

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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

A VOZ DO SONHO

Gosto de falar com colegas mais velhos do mesmo curso. De ouvir as suas histórias, os seus medos, os seus enganos, mas também os seus triunfos, os seus sucessos, …

Essa experiência enriquece-nos de uma forma indescritível. Cada vez que partilho desses momentos, sinto que entro um pouco mais dentro da fantástica esfera da Medicina, sinto-me um pouquinho mais próxima do meu sonho e da sua realização.

Tenho amigos de anos diferentes na minha faculdade. E eles permitem-me perceber o que me espera nos anos que virão… Quando os de 2.º ano – o Nuno, o Zé ou a Rita - desabafam que determinado teste foi horrível, quando os de 3.º - a Bia e o Hugo - se queixam que é o pior ano, quando os de 5.º - o Pedro e a Sara - passam por mim sempre a correr e estão cheios de trabalhos e exames, ou quando os de 6.º, como o António, me falam de todos os hospitais a que vão, das cirurgias em que participam, dos congressos para que são convidados e, sobretudo, das especialidades desejadas.

Há também os amigos de Erasmus… e admiro o seu espírito resoluto e determinado frente à enormidade do desafio de vir estudar Medicina no estrangeiro. Ter de aprender o português… Conheço vários colegas de Erasmus e de diferentes países, o Marco é italiano, uma francesa - Jenifer, uma checa (a Eva)… Sempre que estamos juntos falamos sobre as diferenças culturais entre países e é impressionante como todas as barreiras desaparecem quando as pessoas têm sonhos comuns, ambições semelhantes.

E depois ainda há os amigos a estudar no estrangeiro. Estão lá porque o sonho foi mais forte do que as correntes, os obstáculos, as dificuldades… Estão lá porque a vocação foi a única coisa que sempre interessou, mais do que as notas cruéis e frias…

A sempre doce Catarina está em Badajoz. Uma grande amiga e, de certeza, uma fantástica médica. Humana e dedicada. Tal como eu, não entrou no primeiro ano. Juntas, sem esquecermos o nosso sonho, tentámos o segundo ano. Mas ela foi mais longe, aprendeu espanhol e inscreveu-se nos exames para acesso às universidades espanholas. Cá, mais uma vez recusaram-lhe o sonho, mas foi recebida no país vizinho, onde está imensamente contente. Como estamos no mesmo ano, sempre que nos vemos comparamos os cursos (e, claro, o de Espanho é muito mais prático), os nossos gostos particulares, as faculdades, os colegas, as experiências….

E depois há o João Duarte. Esse aceitou um desafio ainda mais arriscado e longínquo. Está a estudar Medicina na República Checa, no segundo ano. Apesar de o ambiente nem sempre ser o melhor, sobretudo devido às inúmeras saudades e à distância, afirma que não vai desistir. Nunca! Vai concretizar o seu sonho e cumprir os seis anos de Medicina e que, depois, tentará vir para Portugal completar a especialidade.

É com um brilho nos olhos que nos reunimos. Agora é muito mais do que a nossa forte amizade que já existia. Agora é o sentimento inigualável de que, apesar distantes, em Espanha ou na República Checa, fazemos parte de um mesmo mundo. É o sentimento de que o futuro promete a nossa reunião, já que além de eternos amigos, seremos colegas de profissão.

São vários sonhos, desejos, ambições comuns que se cruzam no dia a dia, nos corredores da faculdade, em português, espanhol, italiano, francês, checo; nos telefonemas de saudade; nos postais e nas cartas de lembrança; nas mensagens de telemóvel… São sacrifícios e lutas que se travam … e tudo isto pela Medicina. No final, todos sabemos que valerá a pena.

 

“Tudo vale a pena, se a alma não é pequena.”

Fernando Pessoa

publicado por Dreamfinder às 22:11

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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

CARNAVAL A BRINCAR OU A SÉRIO?

Como sempre o Carnaval de Torres Vedras não dispensa os satíricos carros alegóricos. Este ano, como em todos os outros, houve um que me cativou particularmente o olhar e a consequente reflexão: esse carro evidenciava uma triste realidade, a abertura de clínicas de cirurgia estética e clínicas de aborto contra o encerramento de maternidades. E neste claro contraste há uma forte e óbvia mensagem: as pessoas estão cada vez mais egocêntricas e egoístas. Os problemas envolventes não importam, não interessa que ocorra um referendo… Sair de casa para votar?… Que maçada. Importam a beleza, o bem-estar, o conforto, a individualidade…
E importa facilitar a vida… Se o aborto ilegal continua a acontecer e é um incómodo as mulheres portuguesas irem a Espanha… então porque não legalizá-lo?
Depois... cada um terá a sua opinião. E eu tenho a minha. Tenho constatado entre amigos e colegas que votar sim está na moda. Hão-de haver aqueles que acham que é sinal de modernidade, há mesmo quem se atreva a afirmar que o sim é a ponte para que Portugal possa sair da Idade Média em que se instalou.
Além de não ser nada influenciada pelas opiniões alheias e muito menos pelas correntes ou pela moda, não concordo com nada do que tem sido dito... No Sim, não vejo a resolução do problema que todos tentam anunciar, mas a fuga ao mesmo problema. E aqui, apesar de demasiado vulgar, sem dúvida que a expressão tem aplicação: "se não os podes vencer, junta-te a eles." Logo, um dos grandes argumentos do Sim (e eu até compreendo que não é fácil fazer campanha pelo sim, os argumentos escasseiam quando se atenta contra uma vida), tem sido que o “não” propõe que as coisas permaneçam como estão e o “sim” a mudança. Ora, isto é, perante a incapacidade do estado português de controlar e impedir os abortos clandestinos, legalizam-se os mesmos, tornando tudo mais fácil, sobretudo para o próprio governo que, assim, já não pode ser acusado de incompetência. Porque não legalizar também as drogas? Já que o governo não controla o tráfico... (ou vão dizer-me que só na questão do aborto é que continuam a praticar-se ilegalidades?)

Por outro lado, o “sim” também se tem refugiado numa imagem marcante (ou nem por isso): mãos femininas atrás das duras grades. Nos últimos 30 anos não houve uma única mulher presa por ter cometido um aborto ilegal. Ora, mais uma vez, esse argumento também não me comove. Temos de proteger aqueles que não têm voz ainda, os mais fracos, as únicas vítimas desta situação.
Mas o auge das opiniões pró-escolha, foi o comentário de Lídia Jorge quando se referiu ao ser humano até às 10 semanas, como "essa coisa humana". Como escritora, em primeira instância, não foi certamente feliz na escolha das palavras, desonrando as letras com a sua ignorância e insensibilidade. Diz que vota pela modernidade, defendendo-se com os argumentos mais medievais que já ouvi.... Enfim...
Oito anos depois do primeiro referendo, há uma generalização crescente da facilidade com que as pessoas têm acesso à informação. O acesso a contraceptivos tem sido facilitado. A protecção deve ser a palavra de ordem... o aborto deve ser uma excepção e não banalizado ao ponto de se, "por opção da mulher" (e é isso que diz a pergunta) até às 10 semanas, poder ser considerado um cómodo contraceptivo.
Aterroriza-me a banalização do aborto... Aterroriza-me a opinião de médicos a favor da escolha, quando essa escolha compromete uma vida, quando essa escolha é resultado de uma mera "opção" egoísta da mulher. E eu sou mulher... Defendo que a mulher manda sempre no seu corpo, mas neste caso, não se trata apenas do seu corpo... mas de uma criança que vai ser gerada. E por mais que tentem fugir à questão, tentem evitar ficar sem resposta perante perguntas difíceis, não nos podemos esquecer que o milagre da vida começa no momento da concepção. Nesse momento há todo um padrão genético que é criado: a cor dos olhos, do cabelo, certos traços físicos e mesmo psicológicos, estão ali, naquela maravilhosa mistura genética". Às 10 semanas o coração já bate... Como é que um médico tem coragem de dizer que é a favor da escolha e contra a vida? ...
E depois restam as questões éticas... Agora, apenas por opção da mulher, pode fazer-se actuar uma "selecção não natural" e podem passar a abortar-se crianças com pequenos problemas facilmente resolvidos depois do nascimento ou, por vezes, mesmo durante a gestação.
E ainda outra questão não esclarecida... relativa, na minha opinião, a um dos públicos alvo: as jovens grávidas, menores de idade? Quem decide? Segundo a coerência dos argumentos, aquela referida "opção da mulher" deveria ser delas. O corpo é delas... Mas, no entanto, são menores de idade, é suposto necessitarem de autorização dos pais. Isto só prova que os problemas continuam a não ser resolvidos, apenas deixados e acumulados para trás. Muitas das vezes, as mulheres decidem fazer aborto, não por "opção sua" propriamente dita, mas coagidas por familiares ou pelo respectivo pai da criança. Estas jovens continuam a não ter opção... e a deixar que os outros decidam por si.
O “sim” ganhou e tudo vai mudar. Para melhor? Certamente não! Desacreditem-se aqueles que afirmam que o número de abortos vai diminuir, porque não vai. Aumenta, obviamente (e é esse o objectivo do “sim”) o número de abortos legais, agora com uma condição única: "até às 10 semanas por opção da mulher". Eventuais mulheres que poderiam ser dissuadidas pelo facto de ser ilegal ou ser incomum, com a legalização e consequente banalização do mesmo, isto representa um incentivo que poderá influenciar a sua decisão. Além disso, o “sim” não é a solução dos problemas. Não vão deixar de existir abortos ilegais... Nem sempre as mulheres têm tempo para realizar o aborto até às 10 semanas...
O primeiro-ministro repugna-me... Nunca há fundos, nunca há meios, para nada, nem mesmo para a Saúde, uma das áreas que deveria ser prioritária do governo. Mas para comparticipar abortos haverá... enfim...
Porque não fazer como na Carolina do Sul (Estados Unidos) em que está a ser aprovada uma lei, em que as mulheres que queiram abortar terão de ver uma imagem ultra-sónica do seu feto antes da interrupção da gravidez, os proponentes afirmam que as mulheres mudarão de ideias depois de verem a imagem do seu feto.

"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."
Fernando Pessoa
 
"Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças."
Fernando Pessoa
 

 
 
 
 
 

No referendo venceu o “sim”, é a sociedade que perde. Perde identidade, perde modernidade, perde valores, perde ... só tem a perder. O “sim” venceu e olharei para esta questão com a eterna mágoa banhada pelo sentimento de impotência... Mas que mais posso fazer? Nada. Apenas o que já fiz: a garantia do meu voto no não, um não ao aborto, um sim pela vida!!!
“Se a vida não tem preço, nós comportamo-nos sempre como se alguma coisa ultrapassasse, em valor, a vida humana... Mas o quê?”
Antoine de Saint-Exupéry
publicado por Dreamfinder às 14:14

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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

"A VIDA NÃO É UM SONHO"

Não sou eu que o digo, mas depois do filme que vi (com esse mesmo título), o sentimento não pode ser outro. Comprei o filme recomendado no âmbito da disciplina de Introdução à Medicina e decidi-me finalmente a vê-lo. É trágico… como a vida, e gira em torno de diferentes tipos de vícios e dependências. É o drama paralelo de três jovens dependentes da droga e da mãe de um deles que, por achar que vai a um programa de televisão, começa uma dieta à base de comprimidos que lhe dão uma estranha energia. É um filme de limites. E onde até mesmo os limites são excedidos. Mas há um fio condutor, um objectivo comum às quatro personagens principais do filme: procurar uma vida melhor. Sara redescobre a felicidade com a ideia de aparecer na televisão, sonha com isso em todos os momentos. Mas quer levar aquele vestido vermelho que já não lhe serve… O que é aquela mulher capaz de fazer para emagrecer? Aumenta progressivamente a dose de comprimidos, mesmo sem ordem médica, até se tornar completamente dependente deles… os comprimidos vão levá-la à loucura. Acaba por ser internada numa instituição psiquiátrica e chega mesmo a ser tratada com choques eléctricos.

E aqueles jovens? Até onde são eles capazes de ir para obter a sua dose diária? Eles simplesmente não têm limites. Harry, apesar de adorar a sua mãe, desesperado para obter droga, vendia as coisas dela, particularmente a televisão, que esta voltava a comprar, mês após mês. Um ciclo vicioso, como a droga. Marion, namorada deste, é uma rapariga a quem os pais sempre deram tudo, excepto atenção. E Tyrone, o melhor amigo de Harry, vive diariamente o peso da discriminação por ser negro. Eles querem montar um negócio para viciados, de venda de drogas leves porta a porta. Mas rapidamente todos descobrem que será difícil atingir as suas aspirações…

Até que ponto resiste o amor quando os vícios se intrometem? E, sobretudo, quando a droga falta? Eles vão chegar ao limite. Harry e Ty partem para a Florida em busca de vendedores de droga. Marion vende o corpo, o orgulho, a dignidade em troca de droga. Ty acaba na prisão ao levar Harry ao hospital, devido a um enorme hematoma no braço por se injectar sucessivamente. O braço acaba por lhe ser amputado.

Muitas vezes as pessoas adquirem certos vícios para provarem que são livres, independentes, desregradas, que tudo podem… quando, na realidade, acabam por tornarem-se escravas desses mesmos vícios. E, iludidas por esse aparente poder, não se apercebem que nem sequer têm controlo sobre a sua própria vida. Só vivem com um objectivo: satisfazer o seu vício. É isso que os move. Que tipo de vida é esse?

“É difícil havermo-nos com os erros do nosso tempo. Se os enfrentamos ficamos desacompanhados, e se nos deixamos apanhar por eles não ganhamos com isso nem glória nem alegria. Para destruir servem todos os falsos argumentos. Para construir, não. O que não é verdade não é construtivo.”
Johann Wolfgang von Goethe

publicado por Dreamfinder às 18:42

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